Boitempo

Entardece na roça
de modo diferente.

A sombra vem nos cascos,
no mugido da vaca
separada da cria.

O gado é que anoitece
e na luz que a vidraça
da casa fazendeira
derrama no curral
surge multiplicada
sua estátua de sal,
escultura da noite.

Os chifres delimitam
o sono privativo
de cada rês e tecem
de curva em curva a ilha
do sono universal.

No gado é que dormimos
e nele que acordamos.

Amanhece na roça
de modo diferente.

A luz chega no leite,
morno esguicho das tetas
e o dia é um pasto azul
que o gado reconquista.

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Posted on 24 de Agosto de 2011, in Poemas and tagged , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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